70 frases de Adélia Prado que demonstram seu talento inigualável — Página 2
Frases de Adélia Prado que nos ensinam sobre a vida e o cotidiano
Fui dormir umas vezes tão feliz, que, se soubesse minha força, levitava. Em outras, tanta foi a tristeza que fiz versos.
Não tenho tempo algum, porque ser feliz me consome!
Estremecerei de susto até dormir, e no entanto é tudo tão pequeno. Para o desejo do meu coração, o mar é uma gota.
Era raiva não. Era marca de dor.
Uma ocasião, meu pai pintou a casa toda de alaranjado brilhante. Por muito tempo moramos numa casa, como ele mesmo dizia, constantemente amanhecendo.
Com perdão da palavra, quero cair na vida.
Há dentro de mim uma paisagem entre meio-dia e duas horas da tarde.
Quero escrever-te até encontrar onde segregas tanto sentimento.
O transe poético é o experimento de uma realidade anterior a você. Ela te observa e te ama. Isto é sagrado. É de Deus.
Só melhoro quando chove.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou.
A vida cotidiana já é heroica e nós temos que aceitar. Eu vou dar birra com Deus? Seja pobre, seja rico.
Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô.
Seria um retrato triste se não visse em seus olhos um jardim. Não daqui. Mas jardim.
A vida é muito bonita, basta um beijo e a delicada engrenagem movimenta-se, uma necessidade cósmica nos protege.
Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande.
Aqui se passa fome, aqui se odeia, aqui se é feliz, no meio de invenções miraculosas.
Não me falou em amor. Essa palavra de luxo.
Amor é a coisa mais alegre. Amor é a coisa mais triste. Amor é a coisa que mais quero. Por causa dele falo palavras como lanças.
Sei que Deus mora em mim como sua melhor casa. Sou sua paisagem, sua retorta alquímica e para sua alegria seus dois olhos.
O mar é imenso? Meu amor é maior, mais belo sem ornamentos do que um campo de flores.
Me dão mingaus, caldos quentes, me dão prudentes conselhos, eu quero é a ponta sedosa do teu bigode atrevido, a tua boca de brasa.
Ele me amava, mas não tinha dote, só os cabelos pretíssimos e um beleza de príncipe de estórias encantadas.
A poesia me pega com sua roda dentada, me força a escutar imóvel o seu discurso esdrúxulo.
Se pudesse, hoje, varria, isso mesmo, varria as pessoas todas com vassoura, como se fossem ciscos.
Acontece a má coisa, eu lhe digo, também sou filho de Deus, me deixa desesperar.
O mundo, cheio de departamentos, não é a bola bonita caminhando solta no espaço.
Te amo com a memória, imperecível.
O que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir.