O cobertor azul

O pastor mais assustado naquela noite era o pequeno Ladius, de apenas dez anos. Escondeu-se atrás de seus três irmãos mais velhos quando uma estrela muito brilhante iluminou a colina. E quando um anjo apareceu, escondeu-se atrás de uma rocha enorme.

Entretanto, depois que Ladius ouviu a alegre notícia, o medo lhe deixou, e ele avançou até seus irmãos que estavam planejando ir para Belém.

– Quem cuidará dos carneiros? Perguntou Samuel, o mais velho. Ladius, apoiando-se em sua bengala para suportar o pé aleijado, ofereceu-se,
– Eu iria atrasar sua caminhada. Deixe-me ficar com os carneiros.

Os irmãos protestaram no início mas acabaram por concordar.
– Cada um de nós deve levar um presente. Disse Samuel.

Um dos irmãos escolheu a pedra que usava para acender fogo para a criança. Outro escolheu lírios do campo para fazer uma guirlanda para o rei. Samuel decidiu por sua posse mais preciosa – seu anel do ouro.

– Levem. Dê-lhe meu cobertor. Disse Ladius. Um desgastado e remendado cobertor.

– Não, Ladius. Respondeu Samuel. O cobertor está esfarrapado demais até para dar a um mendigo – imagine para um rei. Além disso, você vai precisar dele nesta noite.

Os irmãos partiram, deixando Ladius sozinho com o fogo. Colocou sua cabeça em cima do cobertor e enterrou o rosto em suas mãos.

– Você vem, Ladius. – Chamou uma voz. Em pé estava o mesmo anjo que havia trazido a notícia – Você quer ver a criança, não é?

– Sim. – Ladius assentiu. – Mas devo ficar aqui.

– Meu nome é Gabriel. – Disse o anjo – Seus carneiros estarão seguros. Pegue minha mão e traga seu cobertor. A criança pode precisar dele.

De repente, Ladius estava do lado de fora de um estábulo. Ajoelhou-se próximo à uma manjedoura onde estavam seus irmãos. Ladius começou a chama-los, mas o anjo pediu silêncio levando um dedo aos lábios.

– Dê-me o cobertor – sussurrou Gabriel.

O anjo pegou e cobriu suavemente o bebê. Mas o cobertor não estava mais tão desgastado. Agora cintilava como o orvalho no brilho da luz de um novo dia. Retornando, Gabriel apertou a mão de Ladius:

– Seu presente foi o melhor de todos, porque você deu, com amor, tudo o que você tinha.
– Acorda, Ladius, acorda!

O menino esfregou os olhos e tentou protegê-los do sol. Sobre ele estava Samuel.

– Vocês o encontraram? Perguntou Ladius.

– Sim. – respondeu Samuel – Mas diga-me por que você estava dormindo sem seu cobertor?

Ladius olhou em volta, maravilhado. O cobertor azul, remendado e desgastado, não pode ser encontrado em nenhum lugar.

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