Dia nacional da consciência negra

As palavras tem um encanto e um perigo inerentes a si, que quando mal usadas pode mais ferir do que apaziguar dores e mazelas. Pode mais segregar do que unir!

Digo isso por considerar que quando nomeamos estamos definindo partes de um todo, e nesse processo esquecemos que o todo se compõe também daquela parte nomeada, tornada até que independente do todo.

Mesmo assim, vamos classificando, nomeando, individualizando as coisas, pensamentos, sentimentos, etc.

Por outro lado quando definimos as coisas, restringimos a sua abrangência e seus efeitos, esquecidos talvez das consequências que isso pode acarretar…

No dia de hoje se comemora o Dia da Consciência Negra, mas com o perdão da palavra, consciências tem cor?

Nestes termos estamos restringindo de forma imprópria e imprecisa um acontecimento importante e de consequências vitais para milhares de pessoas, nossos irmãos de estrada, de jornada neste plano de existência, que vivem ao mesmo tempo que nós mesmos uma mesma oportunidade de vida.

Acredito firmemente que cada ser humano deve sim fazer valer as suas convicções e pensamentos, mas dai criar grupos e guetos é uma outra coisa.

As pessoas negras, por uma presença maior de certos pigmentos na pele, não são diferentes das que tem uma cutis mais clara.

Os que diferem as pessoas são os pensamentos que formulam, as atitudes que tomam, as posições na vida que com esforço se fazem valer.

As consciências em meu entender, são um atributo das almas, da psique, mas não lhe são atribuidas cores, matizes…

Assim, creio haver apenas a consciência humana!

E neste ponto, importante, crucial, pergunto. O que estamos fazendo conscientemente ou não com as nossas vidas?

Estamos em plena era de conhecimento vasto, amplo, divulgado aos quatro ventos, e através dos avanços tecnológicos presente instantaneamente no mundo inteiro e mesmo assim estamos divididos…

Somos grupos que se fecham em si mesmos, buscando uma certa representatividade mas ainda como gueto, como grupo fechado, quase isolado.

A problemática levantada como bandeira dos movimentos de consciência negra, são problemas que dizem respeito a todos.

De um lado são problemas causados pela parcela não negra aos negros, com a conivência ou não destes. Da mesma forma os problemas que envolvem outras parcelas da sociedade humana, digo parcelas, por serem uma parte do todo, mas não por querer distânciá-las do todo.

Assim, penso que o que temos mesmo é de derrubar as barreiras que ainda separam as pessoas, e estas barreiras estão enraizadas nas almas humanas.

Seja por força de uma formação educacional deficiente, seja por qual razão for.

Sei que surgirão argumentos a favor ou contra o que aqui exponho, um direito de todo leitor de minhas letras, um dever sobretudo de meus leitores ativos, uma possibilidade que deixo em aberto para leitores passivos, que devido a sua passividade nem se manisfestarão, mas o importante é debatermos, trocarmos idéias, buscarmos soluções que contemplem ao maior número de interessados…

Aqueles que sofrem algum tipo de violência, discriminação, preconceito, etc, são vitimas de algozes, que só se distinguem deles pela atitude e belicosidade, por seus instintos e pensamentos involuidos…

Tanto algozes quanto as suas vitimas são seres humanos!

São irmãos que se flagelam!

São consciências que se se conflitam… Consciências humanas, cegas, iradas, revoltadas, confusas, mal educadas, mal formadas…

Consciências não tem cor!

A alma humana se instala neste ou naquele corpo por um propósito divino, que cabe a cada um tentar desvendar qual é.

Avento a possibilidade de ser o da busca da iqualdade! Da totalidade! Da completude!

Que um dia exista o dia da Consciência Humana!

Por ora vou me contentando com a luta de meus irmãos na busca de visibilidade para a sua importante participação na construção de nosso pais, numa visão mais ampla, e da sua importância como criatura de Deus, numa visão mais individual e não restrita.

Desejo que sejamos todos uma expressão de amor de Deus e não de discórdias!

Nós não negros, nós ” consciências brancas ” somos tão responsáveis quanto os de ” consciências negras ” pelos caminhos e descaminhos por que se vão as vidas de todos os nossos irmãos de estrada, de tempo, de oportunidade de vida, neste planeta, neste momento, neste momento histórico.

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